Esquecer a pílula ou não ter condições de buscar o posto de saúde todo mês não será mais um obstáculo para o planejamento familiar de milhares de mulheres em Santo André. A rede municipal de saúde deu um passo gigante na última semana ao começar a oferecer o Implanon, um implante contraceptivo moderno que fica sob a pele e protege contra a gravidez por até três anos.
A grande sacada aqui não é só o “chip”, mas como ele chega até quem precisa. Em vez de esperar a paciente bater na porta do posto, a Prefeitura de Santo André está “invertendo a lógica”: as equipes vão até os territórios mais difíceis para encontrar essas mulheres.
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O que é o Implanon e por que ele é diferente?
Diferente da pílula tradicional ou da injeção mensal, o Implanon é um bastonete minúsculo inserido no braço. Ele libera o hormônio etonogestrel de forma contínua.
- Liberdade: Você não precisa lembrar de tomar nada todo dia.
- Durabilidade: Uma única aplicação garante 3 anos de proteção.
- Segurança: É um dos métodos mais eficazes do mundo, com índice de falha quase zero.
Foco em quem mais precisa
Nesta primeira fase, o programa mira o público que mais enfrenta barreiras para se cuidar. O atendimento é liderado pelo Consultório na Rua, que já conhece de perto a realidade das mulheres em situação de vulnerabilidade, usuárias de substâncias ou que vivem em contextos de violência.
Para o prefeito Gilvan Ferreira, a medida é uma questão de autonomia. “Estamos falando de uma política pública que não espera a mulher chegar até nossa rede de saúde, mas que vai até onde ela está”, explica. Segundo ele, tirar o peso da dependência do uso diário garante mais segurança no planejamento de vida dessas pacientes.
Como funciona o atendimento?
Não é apenas chegar e aplicar. Existe um protocolo de acolhimento e informação:
- Orientação: A paciente recebe detalhes sobre todos os métodos e prevenção de ISTs.
- Escolha Livre: A mulher decide se quer ou não o implante; nada é imposto.
- Público-alvo: Mulheres entre 14 e 49 anos com critérios clínicos e sociais específicos.
O secretário de Saúde, Edson Salvo, reforça que a integração entre os serviços é a chave do sucesso. “A proposta é garantir acesso com qualidade, segurança e integração entre os serviços, trazendo cuidado e informação para as pacientes”, destaca.
O futuro do programa em Santo André
O município já conta com 2,5 mil unidades enviadas pelo Ministério da Saúde. Embora o foco inicial seja o Consultório na Rua e casos de maior risco social (como doenças crônicas ou histórico de violência), a ideia é expandir o acesso para outros pontos da rede municipal gradualmente.
Essa iniciativa coloca Santo André na vanguarda do SUS no ABC, tratando o planejamento reprodutivo não como uma burocracia, mas como um direito básico à saúde e à dignidade.
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Por: Odair Junior/ABC Agora

