São Paulo decidiu erguer uma barreira técnica para proteger um de seus setores mais lucrativos: a tilapicultura. O Governo do Estado ampliou o monitoramento sanitário sobre o pescado importado para evitar a entrada do Tilapia Lake Virus (TiLV), um patógeno altamente letal que pode dizimar até 90% de uma produção e já causou estragos em países da Ásia e África.
A medida chega em um momento de ouro para o setor. Em 2025, a produção paulista de tilápia saltou para 54,17 mil toneladas, movimentando quase R$ 500 milhões. Com 21 frigoríficos e mais de 12 mil tanques-rede espalhados por seus reservatórios, o estado é o segundo maior produtor nacional e não quer colocar esse patrimônio em risco.
Blindagem sanitária e econômica
“Proteger o status sanitário da produção é garantir investimentos, segurança alimentar e condições para o crescimento sustentável do setor”, destaca o secretário Geraldo Melo Filho. A preocupação faz sentido: o modelo brasileiro de criação em tanques-rede em grandes represas, embora muito produtivo, exige vigilância redobrada, pois uma eventual contaminação se espalharia rapidamente.
Além da ação estadual, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) já mantém uma suspensão cautelar de importações de mercados de risco enquanto avalia as ameaças de doenças exóticas.
O risco do “TiLV”
Especialistas alertam que o vírus TiLV é uma das maiores ameaças mundiais à espécie. Para Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, a introdução da doença no Brasil teria um impacto devastador. “Em regiões com grande concentração produtiva, como São Paulo, os efeitos sobre a produção e a indústria seriam expressivos”, avalia.
Atualmente, a tilápia é a proteína de pescado mais consumida pelos paulistas. Garantir a saúde das águas e dos peixes é, portanto, uma questão de segurança econômica e alimentar para todo o estado.
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*Com informações: Agência Brasil

