O Senado deu sinal verde, nesta quarta-feira (25), ao projeto que vai ditar os rumos das escolas e universidades brasileiras pelos próximos dez anos. O Novo Plano Nacional de Educação (PNE) foi aprovado com ajustes de última hora e agora só depende da assinatura do presidente para virar lei.
A decisão encerra um período de incerteza, já que o plano anterior estava com o prazo vencido. Agora, o governo tem um “mapa da mina” com 19 objetivos principais que cobrem desde a alfabetização na idade certa até o ensino técnico e a pós-graduação.
LEIA TAMBÉM: Colégio ARBOS inaugura prédio dedicado à educação infantil em Santo André como parte de plano de expansão
O bolso da educação: a meta dos 10%
A mudança mais drástica e que deve gerar impacto direto no dia a dia de estados e municípios, incluindo as cidades do Grande ABC, é o aumento no volume de dinheiro carimbado para a área.
O plano estabelece uma escada de investimentos:
- Hoje: O Brasil investe cerca de 5,5% do PIB em educação.
- Em 7 anos: O investimento deve subir para 7,5%.
- Em 10 anos: A meta final é atingir 10% do PIB.
Esse recurso extra é visto por especialistas como o combustível necessário para reformar escolas, valorizar professores e combater a evasão escolar, um dos grandes “fantasmas” do ensino médio atual.
Acordo para evitar o “carimbo”
A votação no Plenário foi marcada por um esforço de conciliação. A relatora, senadora Teresa Leitão (PT-PE), aceitou apenas “mudanças de redação”. Na prática, isso foi uma manobra política estratégica: se o conteúdo fosse alterado drasticamente, o texto teria que voltar para a Câmara, atrasando a aplicação das metas por mais meses.
“O texto resulta da mediação possível entre as diferentes correntes de opinião presentes na sociedade e no Congresso Nacional”, explicou a relatora.
Nem todos ficaram satisfeitos. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou a velocidade da aprovação, afirmando que o Senado não deveria ser apenas um “carimbador” do que os deputados decidem. Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) recuou em alguns pedidos de mudança após garantir que escolas comunitárias e filantrópicas pudessem continuar recebendo recursos públicos.
O que muda na prática para o aluno?
O novo PNE não é apenas sobre números, mas sobre a qualidade do que acontece dentro da sala de aula. O texto prevê:
- Avaliação Bienal: A cada dois anos, as metas serão checadas para ver o que está funcionando.
- Foco no Ensino Médio: Estratégias para manter o jovem na escola e conectado com o mercado de trabalho.
- Inclusão: Diretrizes mais claras para a educação integral e diversidade.
Por que demorou?
O projeto foi enviado pelo Executivo em 2024 e passou quase um ano na Câmara antes de chegar ao Senado. Como a vigência do plano antigo já havia expirado, a aprovação desta quarta-feira foi tratada como “urgência máxima” para evitar que o país ficasse sem uma diretriz educacional clara em 2026.

