Se você acha que a vacina é sempre a mesma, se enganou. Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) analisa quais vírus estão “fazendo a festa” pelo mundo e manda a receita para o Butantan. Para 2026, a composição do Hemisfério Sul foi atualizada com duas novas cepas (H1N1 e H3N2), o que é raro e torna o processo de fabricação muito mais difícil.
“A atualização de duas das três cepas é incomum e aumentou a complexidade do processo produtivo”, explica Felipe Carvilhe, gerente do Butantan. Isso acontece porque cada vírus tem seu próprio ritmo: uns são apressadinhos para se multiplicar, outros são mais lentos, e os novos deste ano deram um pouco mais de trabalho nas bancadas do laboratório.
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Quem precisa correr para o posto?
A campanha foca em quem corre mais risco de complicações. Se você faz parte desses grupos, fique atento ao final de março:
- Pequenos e Idosos: Crianças de 6 meses a menores de 6 anos e vovôs/vovós (60+).
- Gestantes e Puérperas: Quem acabou de ter bebê também entra na lista.
- Profissionais: Saúde e professores (básico e superior).
- Grupos de Risco: Povos indígenas, pessoas com doenças crônicas e outros grupos vulneráveis.
Importante: Desde o ano passado, a vacina da gripe não é mais só de campanha para crianças, gestantes e idosos. Ela agora faz parte do calendário de rotina e está disponível o ano todo nos postos!
Por que não dá para vacilar com a gripe?
Muita gente confunde gripe com um resfriadinho comum, mas os números de 2025 mostram que o buraco é mais embaixo. O Brasil registrou quase 225 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no ano passado. A gripe foi responsável por quase metade das mortes causadas por vírus respiratórios no país.
Os sintomas, febre alta, dor no corpo, cansaço extremo e tosse, podem evoluir rápido para uma hospitalização, principalmente nos extremos da vida (crianças e idosos). A vacina é a única forma de garantir que, se o vírus te pegar, ele não tenha força para te derrubar.
E o Norte do Brasil?
A região Norte (Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá e Tocantins) joga em outro time. Por causa do “inverno amazônico”, a vacinação por lá acontece só no final do ano e com a fórmula do Hemisfério Norte, seguindo o ritmo das chuvas e do clima da floresta.

