Promover a conscientização e incentivar comportamentos seguros entre motociclistas é um dos pilares do Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo (PSV-SP), implementado pelo Governo de São Paulo neste Maio Amarelo. Essa foi a principal mensagem da cerimônia de abertura do Pit Stop educativo para motociclistas, realizado nos dias 21 e 22 de maio, no Centro Esportivo Tietê, na zona norte da capital. A ação foi promovida pelo Detran-SP e pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-SP), em parceria com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
“O Maio Amarelo 2026 representa o momento em que colocamos o Plano de Segurança Viária para funcionar, com foco na proteção à vida e na redução de mortes e lesões no trânsito, que têm o motociclista como principal vítima”, disse Roberta Mantovani, diretora de Segurança Viária do Detran-SP.
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“As ações são baseadas em dados do Infosiga, uma ferramenta estratégica para desenvolvimento de políticas públicas que está completando 10 anos e ganhando seu primeiro anuário estatístico. Existe também avanço com propostas, como a formação de um grupo de trabalho com a Secretaria de Educação, para estudar as diretrizes curriculares da educação para o trânsito no estado, alinhado com o Pnatrans”, afirmou Roberta, citando o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito.
O alinhamento entre os planos deve ficar ainda maior com a revisão do Pnatrans, que tomará o PSV-SP como referência, de acordo com Maria Alice Nascimento Souza, diretora de Segurança no Trânsito da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). “Tenho indicado o PSV-SP como modelo a outros estados e pedi à minha equipe que leia o plano e o considere na revisão do Pnatrans”, disse. “É muito importante essa parceria. Temos dados que preocupam e pedem ação: 49% dos internamentos no SUS são provocados por sinistros com motociclistas. O país perde muito com isso, em termos sociais e econômicos.”
A abertura teve ainda falas de Marcos Bento, presidente Abraciclo, Milton Persoli, presidente CET-SP, e Jilmar Pereira Miranda, secretário de Mobilidade da Prefeitura de São Paulo. O Pit Stop, que deve receber cerca de 3.000 motociclistas em dois dias, tem apoio também do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran/PM), do Corpo de Bombeiros, do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), da Polícia Militar Rodoviária Estadual, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
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‘Já são 3 anos de recuperação’
Depois de passar pela maior tenda do Pit Stop e ouvir uma palestra sobre riscos no trânsito, os motociclistas percorreram os locais ligados às instituições que participam do Pit Stop. No espaço do Detran-SP, receberam folhetos informativos, puderam fazer o teste do bafômetro de modo educativo e conversaram com a equipe que passou orientações.
Amanda Maciel, de 25 anos, usa a moto como meio de locomoção para o trabalho e, garantiu, toma todo o cuidado possível, já que há três anos convive com um caso que a fez dobrar a atenção. Por imprudência de um caminhoneiro, o namorado lesionou a perna e se recupera do sinistro, que afetou a vida profissional. “Ele quebrou a tíbia e a fíbula. Passou por cirurgia. Trabalhava em construção, mas há muitos locais em que hoje ele nem pode entrar.”
Para chegar bem em casa, ela diz que anda sempre devagar. “Quando a gente respeita o limite de velocidade, tem um tempo maior para reação diante de um obstáculo. Eu sigo aquele ditado ‘quem tem medo vive mais'”, contou.
Luiza e Luís Antônio Zago, pai e filha, andam juntos sobre a moto. Ele, que é funcionário público, sempre dá carona para ela, que trabalha e faz faculdade de história. “Ele é experiente, eu me sinto segura”, diz Luiza. Ao que o pai experiente ensina. “Meu maior cuidado é estar sempre atento ao outro, nunca perder o outro da visão. Na rua, é preciso sempre tomar conta de você mesmo, do próximo e do outro próximo.”

