A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação interna nesta terça-feira (19/5) para cumprir dois mandados de busca e apreensão contra um perito da própria instituição. O agente é suspeito de violar o sigilo funcional ao repassar informações confidenciais da Operação Compliance Zero, investigação que apura um esquema de fraudes financeiras bilionárias ligado ao Banco Master,para um profissional de imprensa.
As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento imediato do perito de suas funções públicas. O servidor também recebeu restrições alternativas à prisão, ficando proibido de manter contato com os demais investigados e de deixar a comarca onde vive.
De acordo com o STF, o material vazado continha dados estratégicos obtidos logo no início das apurações, gerados a partir da análise dos primeiros materiais apreendidos pela corporação. O perito poderá responder criminalmente por violação de sigilo funcional, crime que prevê pena de seis meses a seis anos de detenção.
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STF blinda trabalho da imprensa e garante sigilo da fonte
Apesar de o vazamento envolver o repasse de relatórios para o meio jornalístico, o Supremo Tribunal Federal fez questão de emitir uma nota oficial esclarecendo os limites da ação. A Corte enfatizou que o foco da operação é estritamente a conduta funcional do servidor público e que a apuração não mira veículos de comunicação ou repórteres.
O texto divulgado reforçou o respeito ao artigo 5º da Constituição Federal, garantindo a liberdade do exercício profissional e o direito constitucional ao sigilo da fonte para os jornalistas que cobrem o caso.
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Raio-X do Caso Master: Números impressionantes após seis meses
A Operação Compliance Zero completou seis meses de andamento oficial e expôs uma complexa rede de corrupção sistêmica. As investigações apontam que o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha conexões com políticos, criminosos e servidores públicos de alto escalão para blindar as atividades da instituição.
Os desdobramentos da operação até o momento revelam a gravidade do esquema:
- Prejuízo e Bloqueios: A Justiça já determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 27 bilhões em bens e ativos financeiros.
- Mandados Judiciais: Foram cumpridos 116 mandados de busca e apreensão em diferentes estados.
- Prisões Efetuadas: 21 pessoas já foram presas preventivamente ou temporariamente.
- Instituições Envolvidas: O esquema contava com a facilitação de agentes internos da própria PF e de diretores do Banco Central (BC), órgão que deveria fiscalizar os desvios no Sistema Financeiro Nacional.
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Por: Odair Jr. | *Com informações: Agência Brasil

